Guia de Penedo · Nossas fontes
De onde vem a história que contamos
Quase tudo o que se lê sobre Penedo na internet vem de outro texto da internet. As datas se repetem, os números mudam de um site para outro e ninguém diz de onde tirou. Foi assim que algumas informações erradas viraram consenso por aqui.
Quando fomos escrever a história de Penedo para este site, resolvemos fazer diferente. Lemos os livros, os trabalhos acadêmicos e os documentos, um a um, anotando a origem de cada afirmação. Onde as fontes divergem, dizemos que divergem. Onde não há documento, dizemos que não há.
Esta página é a lista do que lemos. Ela existe para que qualquer pessoa possa conferir o que afirmamos, e para dar o crédito a quem fez a pesquisa de verdade.
As fontes principais
São as que citamos sem ressalva, porque são documento, pesquisa acadêmica ou relato de quem estava lá.
Sergio Moraes Rego Fagerlande
É a fonte mais importante desta história e o maior especialista no assunto. Arquiteto e professor do PROURB da UFRJ, descendente de finlandeses de Penedo, escreveu sobre a colônia em quatro trabalhos entre 2007 e 2018, incluindo a dissertação de mestrado no PROURB-UFRJ. Foi ele quem reconstruiu a cadeia de donos da fazenda, identificou que a Avenida das Mangueiras é a rua reta projetada em 1929 e escreveu com honestidade rara sobre a encenação turística de Penedo, da qual ele mesmo participou como coautor do projeto da Pequena Finlândia.
Eva Hildén, A Saga de Penedo, 1989
Eva chegou em 1929, com seis anos, e passou a vida anotando. O livro reúne seus diários e é o relato mais íntimo que existe sobre essa imigração. Dele vêm a senzala habitada, a primeira diária da pousada, o nascimento do artesanato e a frase sobre a luz elétrica ter sido o impulso da hotelaria em Penedo. O acervo dela é hoje o Museu Finlandês Eva Hildén, no Clube Finlândia.
O livro dos cinquenta anos da colônia, 1979
Escrito pelos próprios colonos. Traz textos de Liisa Uuskallio, Eva Hildén, Nilo Valtonen, Toivo Sipilä e Olavi Lähteenmäki. É de onde vêm o relato da chegada em 1928, a conta de quantos foram embora, a história dos homens de ovos e do galpão que virou salão de baile.
Alva Athos Fagerlande, Fazenda Penedo: Escrituras, 1998
Compilação das escrituras da fazenda levantadas em cartório, nunca publicada. É o documento que sustenta toda a sequência de donos entre 1885 e 1929, com a execução hipotecária de 1898 no meio.
A escritura de compra da Fazenda Penedo, registrada em 28 de janeiro de 1929
O documento de fundação da colônia. Descreve o que os finlandeses compraram: 697 alqueires, pastos de capim gordura, as construções que existiam e as 300 cabeças de gado que Toivo Uuskallio recusou por ser vegetariano.
André Aaltonen, 2024
Arquiteto e projetista de sauna, terceira geração da família que introduziu a sauna finlandesa no Brasil. Foi a pesquisa dele, feita a partir dos registros de desembarque de navios, que corrigiu a data e o lugar da primeira sauna do Brasil: 1928, em Itatiaia, e não 1929 em Penedo, como se repetia. A correção contraria inclusive o livro do próprio pai dele. É por causa desse trabalho que o nosso texto sobre a sauna está certo.
H. D. Pennanen, Fazenda Penedo, fazenda finlandesa no Brasil, Tampere, 1929
O livreto de 32 páginas que recrutou os colonos na Finlândia, com o questionário de setenta e uma perguntas que era preciso responder para entrar na colônia.
Geografia Histórica do Café no Vale do Rio Paraíba do Sul
Estudo da PUC-Rio com o Instituto Internacional para a Sustentabilidade. É a fonte da parte mais dura da nossa história: a de que o café era plantado morro abaixo para permitir a vigilância do trabalho escravizado, e que foi essa técnica que transformou cada fileira numa rampa de erosão e esgotou o solo em poucas décadas.
Wilson Vieira, Decadência da cafeicultura fluminense e seus desdobramentos, 1850 a 1929
Publicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica. É a fonte que nos permitiu responder com honestidade a uma pergunta difícil: o que a Abolição de 1888 tem a ver com o fim desta fazenda. Dele vêm o pico da produção fluminense em 1882, o esgotamento das terras de Resende já a partir dos anos 1860, os vinte anos de crédito escasso que levaram à execução da hipoteca em 1898, e a comparação com o oeste de São Paulo, que atravessou a Abolição porque tinha terra fértil, ferrovia e imigração paga.
Documentos de arquivo
O censo de 1872, para os números da população escravizada em Resende. E o registro de sepultamento de 1881 no Arquivo Histórico Municipal de Resende, na Casa da Cultura Macedo Miranda, para a biografia de Maria Benedita Gonçalves Martins.
Enrique Tessieri, Universidade de Turku, 2009
Pesquisa sobre a Colonia Finlandesa de Misiones, na Argentina, fundada em 1906 com os mesmos ideais de Penedo. Serve de espelho: a mesma lavoura que não vingou, a mesma evasão, o mesmo salão erguido em mutirão. Lá ninguém foi visitar, e o salão apodreceu nos anos 1970.
Fontes que citamos com atribuição
São confiáveis, mas em alguns pontos divergem entre si ou das fontes principais. Quando usamos uma delas, dizemos de quem é a informação.
- Timo Aaltonen, Sauna Finlandesa, 2008
- Célia Borges e a ACIDHIS, associação de história de Resende
- O Inventário do Instituto Cidade Viva
- Os historiadores de Resende, entre eles Whately e Bopp, para a biografia de Maria Benedita
- O roteiro histórico publicado pela Prefeitura de Itatiaia em 2024
- A narrativa de origem da hotelaria de Penedo guardada pelo Clube Finlândia e publicada pela Pousada Penedo, de onde vem a linhagem das quatro primeiras pensões
O que ainda não sabemos
Esta é a parte que quase nenhum site publica, e é a que mais importa. São perguntas em aberto, e é por isso que alguns trechos dos nossos textos são propositalmente imprecisos.
Em que ano abriu a primeira pousada. As fontes divergem entre 1930, 1932 e 1933. Por isso escrevemos sempre nos anos 1930, sem cravar o ano.
Quem construiu o Casarão, e quando. Circula a data de 1836, mas ela não tem fonte independente: aparece em dois lugares que citam um ao outro. Fagerlande é direto ao escrever que não se sabe exatamente quem formou a fazenda nem quem construiu a casa. Por isso dizemos que o Casarão é do tempo do café, e não cravamos ano.
Se Maria Benedita foi mesmo dona desta fazenda específica. Ela existiu, é bem documentada e foi uma das maiores cafeicultoras de Resende. Mas o documento que ligaria o nome dela a esta fazenda, o inventário de 1881, ainda não foi consultado. Por isso escrevemos que historiadores de Resende registram que a Fazenda Penedo esteve entre as propriedades dela, e não que ela a fundou.
Quem era o barão alemão. Liisa Uuskallio conta que, ao chegar em 1928, encontrou no casarão um alemão que havia administrado a fazenda e contava histórias antigas. É a única testemunha do período anterior que aparece em qualquer documento, e ninguém sabe quem era.
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Se você tem um documento, uma foto ou uma lembrança de família que confirma ou desmente qualquer coisa desta página, queremos saber. Corrigir em público é a única forma de esta história ficar melhor.
A história completa está no nosso guia da colônia finlandesa de Penedo.
